Superando Desafios

A vida prega cortas peças, e há ocasiões em que elas vêm a calhar. Um dia, meu pai estava expondo suas obras na Praça da Republica, em São Paulo. Aquele espaço, criado pelos hippies nos anos 60, havia possibilitado a ascensão de muitos artistas, como por exemplo, Bonadei.

Até esse dia, já havia por parte de amigos muitas perguntas a respeito de um livro com as obras e a vida de Maguetas. Ele, que sempre tivera essa vontade, tomou a liberdade de falar com um cliente seu que já lhe havia adquirido mais de trinta quadros. Era um empresário bem sucedido, com uma mansão em São Paulo. O acervo do empresário segundo ele mesmo, era composto de mais e mil obras, entre franceses e italianos. Como ele era fã da arte do meu pai, este resolveu pedir o seu apoio para a confecção de um livro.

A resposta velo dura e negativa:
Meu caro artista, a sua vida só interessa aos seus familiares. A mais ninguém.

Por coincidência, estava chegando naquele momento na praça, um marchand de Brasília, grande amigo de Maguetas, conhecido como Chanca Ele possuía uma galeria instalada na capital federal, tinha muitos clientes nas embaixadas e em países que visitavam Brasília. O Chanca era um homem de fino trato e era também pintor havia feito recentemente uma exposição na Itália.

Sem saber o que estava acontecendo naquele momento, ele disse em alto e bom som que uma obra de Maguetas havia sido adquirida por um embaixador de um país árabe; que o trabalho já fazia parte de um acervo num palácio do príncipe “não sei das quantas” e que o tal príncipe gostaria de ter, se possível em inglês, alguma coisa sobre a vida do pintor.

Sem dizer nada, o cliente que negara apoio foi embora, e meu pai, orgulhoso, achou muito bom.

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