O Reencontro com Marcovechio Praça da República São Paulo

Num domingo meu pai voltou muito contente da praça além de vender todas as obras para uma galeria do Sul, ele havia encontrado um velho conhecido. Volponi era assim sua assinatura agora.

Todo domingo, com exceção dos chuvosos, se podia escutar não muito longe do estande de Maguetas o barulho de telas sendo arrancadas dos chassis (suportes). Não havia tempo, era tanta venda que se fazia necessário desprender assim a tela.

Volponi era campeão de vendas, galeristas e turistas disputavam as telas em grandes dimensões, sempre superiores a um metro de comprimento.

Fisicamente Volponi estava diferente daquele que meu pai conheceu na infância. Agora usava cabelos compridos e brancos ostentando um grande bigode também branco.

Era fá de meu pai e quando tinha pouco movimento vinha ver as obras novas que meu pai tinha pintado na semana. Sempre fazia um elogio ao colega. Então, um dia, Maguetas resolveu acompanhá-lo e conhecer suas obras. E, ao vê-las, reconheceu a temática; a luz e a maneira de pintar primeiramente as vegetações, seus reflexos e as corredeiras. Não passavam de vinte temas, repetidos com pequenas alterações, mas era sua marca registrada.

Ele era Marcovechio, aquele da exposição que encantou o menino que saia da escola e corria para ver seus quadros com receio de fazer algumas perguntas ao artista.

Então se deu o reencontro. Volponi agora era seu admirador, e a confissão feita pelo meu pai deixou muito feliz o Sr. Marcovechio. Algum tempo depois do reencontro, ao voltar para casa, o amigo de Maguetas sofreu um acidente na Serra da Cantareira, onde tinha seu atelier em uma bela chácara.

Volponi morreu e ficamos sabendo somente na semana seguinte. Já se haviam passado mais de trinta anos do primeiro encontro dos dois artistas, mas “o mundo é pequeno”, diz sempre meu pai, Washington Maguetas.

Convidado por Hélio S. Neves, gerente da Galeria André, meu pai passa a vender com exclusividade para essa galeria em São Paulo. Estava começando uma nova fase, a praça teria que ser deixada, pois o preço das obras era agora ditado pelo marchand, todos cotados em dólar, pois havia muita inflação

Meu pai continuava vendendo para outras galerias de vários estados brasileiros, então ele começa a juntar quadros para uma exposição individual, já que havia feito várias em galerias menores. Era difícil juntar as obras, pois eram vendidas assim que eram emolduradas. Só conseguiu fazer isso em 1993.

Logo depois da exposição, faleceu meu irmão Walter. Foi muito triste para todos nós essa fase de nossas vidas.

A tristeza abateu sobre meu pai, e resultou em um tumor nas cordas vocais também provocado pelo uso do cigarro e do álcool.

Meu irmão Wistan já era médico e fazia residência. Teve seu primeiro filho e meu pai, então, já era avô. Meu pai operou o tumor e agora já faz doze anos que está curado. Mas, sem as cordas vocais, fala através de uma prótese. Esta bem, pinta todos os dias escreve suas poesias, fica horas no computador, cuida de seus bichos que moram no seu jardim com cascatas e lagos, tudo feito por ele. As pedras são artificiais mas parecem ser verdadeiras.

Como Ambientalista, fez documentários sobre o avanço dos canaviais e sobre os poucos sobreviventes das queimadas. Criou o Grupo Cultural Bicho da Serra e outro para a ONG Amigos da Serra.

Vai as escolas mostrar a importância da preservação do meio ambiente e alertar sobre o perigo das drogas e do fumo.

Criou o troféu Bicho da Serra, uma pequena escultura do tamanduá bandeira, um dos habitantes das matas de Taquaritinga, mais propriamente na Serra do Jabuticabal. Esse troféu é para ser entregue a pessoas que realizem algo pelo meio ambiente.

Através da internet, meu pai recebe e-mails do mundo todo e faz venda de suas obras através de três galerias virtuais que foram criadas por fãs e amigos.

A primeira galeria virtual criada pelos professores Douglas de Oliveira e Nilson Carlos Duarte da Silva recebe centenas de milhares de visitas. A segunda galeria virtual pelo amigo Rodrigo Siqueira, e a terceira, que também é um blog, pelo Ricardo M. vHomem.

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