O Chafariz da Praça 9 de Julho aos 16 Anos

A escultura não lhe rendia nada, eram feitas somente peças em argila e cimento. Não havia clientes para peças em bronze.

O cinema mostrava cenas da Europa com sua praças chafarizes, e o adolescente cheio de ideias sonhava com sua cidade mais bonita e com ares europeus. O cinema trazia cultura e novas visões do mundo exterior.

O rapaz montou uma miniatura para um novo chafariz a ser construído na praça 9 de Julho; o antigo estava em péssimas condições. O projeto foi apresentado ao prefeito através de meu avô, que assinou o contrato com a prefeitura pelo fato de meu pai ser menor de idade.

Havia ao todo três sereias, que sopravam uma cornucópia que esguichava água no vaso central, decorado em baixo relevo.

A fonte foi inaugurada com muito comentário na rádio e jornais locais. Havia um jogo de luzes refletoras que intercalavam as cores. Era uma incrível atração aquelas mocas metade peixe e metade mulher. O público simples da cidade agora tinha um local para as jovens bonitas desfilar com seus lindos vestidos rodados a beira da nova fonte luminosa, com suas sereias que mostram nus seus seios de cimento armado. Alguns pais, mais severos e puritanos chegaram proibir a presença dos seus filhos pequenos na praça “imoral”.

E claro que havia falhas de anatomia humana nas sereias, pois o jovem nunca tinha visto uma mulher nua. O prefeito, Dr. Ada Nunes da Silva, comentou:
– Esse menino fez essas mulheres “de ouvido”. – Fazendo referência ao dato de quem compõe música sem saber ler partitura. Mas Maguetas venceu mais essa luta e agora era reconhecido como escultor.

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