Carmem

Nesse período, o adolescente conheceu uma mulher muito bonita chamada Carmem; era argentina de Buenos Aires e dizia ser cantora da noite portenha. Tinha mais ou menos o dobro da idade do jovem Maguetas. Gostava muito de pintura e escultura; falava francês e dizia ter morado na França e cantado em cabarés de Paris.

Maguetas nunca lhe pediu provas disso; mas eles se entendiam muito bem. O jovem não entendia por que cargas d’agua essa mulher tinha ido parar em Taquaritinga. Ele somente sabia que ela chorava muito, bebia, às vezes em excesso e algumas vezes pedia-lhe que a acompanhasse até Ribeirão Preto, para visitar sua irmã que morava numa bela casa. Eles iam de taxi, que os ficava esperando. Maguetas pintou seu retrato e alguns quadros que dava de presente para sua irmã.

Carmem ficou três anos na cidade e depois de um dia para o outro simplesmente desapareceu. Deixou um bilhete que dizia:

Eu também te amo meu artista.
Para Maguetas, ela era uma grande mulher.
Sua adolescência estava presa a um enorme inibismo; foi convidado, no entanto, a participar do teatro, no qual entrou com toda a vitalidade. O jovem então percebeu que era uma maneira de se desinibir e foi ao exagero. Descobriu que tinha facilidade e isso lhe trouxe vantagens nas participações. Em pequenas pontas de uma peça ele conseguia destacar-se no palco.

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