As Esquinas de Sampa

Quando eu estava com sete anos, meu pai decidiu que deveríamos voltar para São Paulo. Araraquara já não era mais o lugar certo para morar, as frequentes visitas aos botecos estavam transformando meu pai em um alcoólatra, quando finalmente ele se deu conta disso.

Resolveu dar um basta, alugou a casa que ele comprou na Rua 8 1/2, em Araraquara e mudamos novamente para a Rua Santo Antônio em São Paulo mas em outra casa, pois a anterior meu pai tinha vendido.

A Praça da Republica agora era uma boa fonte de renda. Tudo o que ele pintava era vendido, se não chovesse, é claro!

Meu pai por ter esse grande amigo chamado Aldo, conseguiu ir até o gabinete do prefeito de São Paulo. O Dr. Miguel Colasuonno. O objetivo era conseguir uma vaga definitiva para trabalhar na praça. Meu pai pensou consigo mesmo: “Já estou no caminho, olha só o prefeito me dando uma audiência”. O Dr. Miguel não quis intervir, mas mostrou o caminho para conseguir a tão almejada vaga na feira da praça. Por teste de seleção, ele foi aprovado.

A Feira Hippie. corno era conhecida, agora estava no roteiro turistico de Sampa. E pensar que meu pai, nos anos 60, tentou criar aquele espaço cultural ao ar livre e tinha que correr gritando:

_Paz e amor bicho! Calma!

Eu, minha mãe e meus irmãos ficávamos no Clube Tietê, pois meu pai havia comprado um título. Quase sempre nos íamos à praça para encontrar meu pai e ver seus amigos: Dom Paco, e o Sr. Beletato. Aproveitávamos para comprar algumas bijuterias ou comer acarajé das baianas em seus quiosques. Meus irmãos eram pequenos mas já gostavam de filatelia. Tinham uma boa coleção que compraram na praça

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