A Fonte Encantada

Hoje, 12 de junho de 2009, quarenta e sete anos depois, a fonte luminosa ainda funciona na praça da cidade de Novo Horizonte, dando prazer às pessoas que se contentam com o que possuem de patrimônio cultural, e a lembrança de um homem que se empenhou num sonho de trazer da Europa algo que não se podia ver em pequenas cidade do Brasil.

Havia sempre crianças, principalmente mocinhas, espiando pelas frestas do tapume que rodeava a construção da fonte, com a intenção de me ver modelando as estátuas em cimento fresco. Era um trabalho árduo, sob um sol de 38 graus, isso durante todo o ano em que trabalhei lá.

Não havia TV, e o único jeito á noite era sentar na frente do Hotel São Paulo para observar as garotas passarem de cima pra baixo no chamado footing. Eu já era uma atração, chamado carinhosamente de “sereio”.

Era muito namorador, sempre chamando as meninotas para uma sessão de cinema. Bons tempos esses da minha juventude!

Dessas tantas meninas que espiavam pelo tapume, havia uma menina bem pequena, cerca de oito anos. Ela vinha com a família visitar sua avó. Eram de Itápolis, bem perto de Novo Horizonte.

No dia da inauguração da fonte, lá estava ela, com seus oito aninhos, a aplaudir o evento que encantaria por décadas o povo da cidade. Seu avô tocava na banda do coreto. Ele soprava seu trombone tocando o hino da cidade. Quando as águas começaram a dançar acompanhando a música espalhada pelos discos de vinil, que era a tecnologia da época, num sincronismo com as luzes, foi emocionante!

A placa de bronze está lá ainda hoje, marcando a data desse acontecimento. Aquela criança, Elisabete, depois de mais de quarenta anos surge no meu caminho e se torna a minha segunda esposa, acompanhando-me no caminho das artes.

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