A Carrocinha de Pão

A cidade agora respirava tranquila pelo fim da Segunda Guerra Mundial. Havia, a principio certo clima de hostilidade contra os envolvidos, países que tinham imigrantes morando na cidade italianos, alemães e japoneses. Não se pode negar que isso tenha acontecido. Todos sentiam isso.

Maguetas pegava uma carona na carrocinha de pão que passava pelos fregueses deixando um filão bem quentinho junto a um litro de leite ainda morno, vindo das tetas das gentis bovinas que abundavam as chácaras das redondezas.

Atrás da carrocinha estava escrito “Pão Quentinho” em letras bem simples, num baú de folha de flandres. E a carroça seguia apressada todas as manhãs pelas ruas da cidade num compromisso do melhor que se podia fazer na época.

Maguetas ajudava o vendedor de pães, que depois de abastecer o pequeno veiculo na Padaria de “Modélle partia o mais rápido possível para cumprir o seu ritual diário da própria propaganda estampada na porta do baú

Maguetas nada recebia em dinheiro pela tarefa também não havia nenhum vinculo empregatício. O seu pagamento era um filão de pão. O menino somente queria facilitar o trabalho de uma pessoa boa, que tinha como meta criar seus filhos através de uma atividade simples de padeiro ambulante.

Quando estava chegando a hora da entrada no Grupo Escolar Domingues da Silva, provavelmente o padeiro e seu pequeno ajudante já estavam próximos. Então o menino calçava os sapatos que vinham pendurados no varal da carroça, apanhava seus cadernos na boleia e entrava pontualmente na sala de aula, onde a professora estava pronta para começar os ensinamentos do dia.

O restante do dia era para cumprir seus afazeres com a argila e também para suas andanças pelas “águas espalhadas”, riacho ainda não poluído na época.

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